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Artigo:
Endomarketing e Ética
Empresarial
Luís Carlos Carvalho
da Silva
Governos
e empresas incorporaram definitivamente
o discurso da responsabilidade
social em seus propósitos
organizacionais. Hoje, praticamente
todas as “missões”
tocam esse aspecto, atribuindo-lhe
relevância estratégica
em termos de sobrevivência.
Não
é difícil entender
porque isso ocorre, uma vez
que os agentes de mídias
ressaltam, dia e noite, a importância
da preservação
dos interesses da sociedade,
onde leia-se: a salvaguarda
dos direitos das gerações
futuras.
Voltando
nossas lentes de aumento para
as ações empreendidas
pelas grandes corporações,
e levando-se em conta que a
Responsabilidade é a
obrigação que
uma organização
tem de agir de maneira que sirva
tanto os interesses próprios
como os interesses da sociedade,
há que se questionar
os métodos escolhidos
pelas empresas para demonstrar
seu engajamento.
O
endomarketing tem sido largamente
utilizado na sensibilização
de empregados para atividades
de voluntariado e participação
ativa em movimentos sociais.
Isso tem reforçado a
impressão de que a busca
do enquadramento no rol de empresas
socialmente responsáveis
significa exclusivamente atuar
nas conseqüências
dos traumas expostos.
Sob
essa ótica, as estratégias
de endomarketing, visando a
mobilização do
pessoal para a consciência
em torno do tema Responsabilidade
Social, terminam por ocultar
a omissão das empresas
em relação ao
ataque dos problemas sociais
em suas causas reais. Com o
tempo, sucumbirão à
falta de credibilidade e a resultados
que resgatam a dignidade das
pessoas mas pouco contribuem
para sua inclusão.
Especialmente
no segmento empresarial, o discurso
da Responsabilidade Social deve
ser urgentemente revisto e o
enquadramento das organizações
deve estar alinhado com o desenvolvimento
de ações que se
traduzam em efetivos benefícios
sociais, voltados prioritariamente
para o combate das causas de
desigualdade. O assistencialismo
praticado em larga escala nos
dias de hoje tem que dar lugar
a ações realizadas
no âmbito da natureza
dos negócios de cada
organização, ações
essas que contribuam para uma
melhor distribuição
da renda interna, para a educação
continuada e a revisão
dos paradigmas sociais de comportamento.
Esse
caminho deve começar
por um novo alinhamento da política
de endomarketing nas empresas,
com desenvolvimento de estratégias
mobilizadoras dos empregados
para o estabelecimento da relação
ganha-ganha-ganha (ganhamos
nós, o cliente e a sociedade).
E quando nos referimos a resultados,
falamos em cortar a própria
carne. Isto para vermos cumprida
a missão de ser útil
à sociedade dentro do
que realmente definimos como
a alma do nosso negócio.
13.05.03
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